Tuesday, 19 August 2014

Viajando com crianças.

Muitas pessoas perguntam (e algumas afirmam mesmo) se viajar com crianças é difícil e chato.
E sempre respondo a mesma coisa: não, não é. Nem difícil nem chato. É (provavelmente) diferente do que uma viagem só com adultos.

Na real nós não sabemos, porque nossa primeira grande viagem internacional, já tinha o Lorenzo dentro da mochila, então não temos muito com o que comparar.
A experiência me diz: eles curtem sim!! Eles podem não lembrar de tudo depois, mas o mais importante fica: O MUNDO NÃO É TÃO GRANDE SIM.

Nós moramos no interior da Inglaterra por 3 anos, e sempre íamos a Londres, que mesmo sendo pertinho, requeria uma certa organização para viajar com 1 (e depois 2) crianças.
(relembre aqui uma dessas vezes)

Nós viajamos pela Inglaterra, conhecemos Paris e Berlim e foram várias viagens entre Porto Alegre- Norwich, que normalmente era: Norwich - Londres - Paris -  Rio de Janeiro (um beijo Galeão) - Porto Alegre e depois a volta tudo de novo.
Enfim, me considero apta a dar dicas de como fazer a coisa funcionar.

1. A ÚNICA coisa que não pode faltar de jeito nenhum : BOM HUMOR.
Sério, eu poderia acabar as dicas aqui. Viajar com crianças qur dizer que eventualmente alguma coisa vai sair do planejado. Alguma coisa é modo de dizer, porque muitas coisas vão sair errado. Pode ser um cocô explosivo que sai da fralda, pode ser um xixi desesperador onde não tem banheiro, pode ser uma água que virou na roupa toda no meio do metro, isso falando das coisas simples. Então, tendo bom humor, o resto vai facinho.
2. Lanches. Por aqui, sempre foi um sossega leão. Frutinhas secas, barras de ceral, bolachinhas, um doce na hora do aperto. Mas lembre-se: tudo ensacado pra não sujar a mochila. Nós sempre usávamos os ziplock da vida. Eu separava por ¨secos e molhados¨ e depois servia de lixo.
3. Brinquedos: livros leves, bonecos, eletrônicos. Nas intermináveis horas de espera entre conexões, tem que rebolar pra manter a gurizada ocupada. No aeroporto de Paris tem uma super área infantil com brinquedos, que faltou até tempo pra brincar, mas no terminal 2 em Londres, era uma tortura, pois o espaço sempre fechava as 18hs, e nossos voos eram sempre noturnos.
4. Pra quem viajar em desvantagem de 2X1 contra o inimigo, ou seja, um adulto e 2 crianças: bom humor redobrado, e tags por toda criança. Eu encarei sozinha algumas vezes o trajeto com os 2, e costumava ESCREVER COM CANETA PERMANENTE meu telefone, nome e dados das crias, nos braços e/ou pernas delas. Exagero, eu sei, mas esses aeroportos podem ficar bem caóticos (beijo de novo Galeão).
5. Saber quando parar. Nossos filhos dormem cedo. Assim, eles praticamente tem hora de validade. O relógio bateu 21hs as crianças acabam: começam a chorar, tudo fica difícil, a vida fica nublada mesmo. Sabendo disso, nós sempre voltávamos para o hotel antes do caos se instalar. Na energia de ver tudo, alguns pais acabam forçando o ritmo dos pequenos e na minha opinião é fracasso total.
6. Pausas estratégicas. Eu sempre digo que quem viaja sem crianças, nem sabe que existe uma pracinha aos pés da London Eye. Mas essas paradas são  essenciais para o ócio deles. 
7. Lembrem-se: seus filhos descobrirão coisas incríveis que estão fora de todos os guias de viagens. É uma fonte em formato diferente, uma árvore dentro do parque famosão que é perfeita para escalar (e que provavelmente irá gerar as melhores fotos da viagem), um edifício colorido, um grupo de pessoas engraçados. Saiba olhar pra tudo isso também. E espere o pequeno turista terminar sua apreciação antes de puxá-lo pela mão para entrar no museu.
8. Curta tudo. O que der errado, a correria, as bagagens intermináveis (já falei antes, viajar leve é privilégio dado a quem não tem filhos) os olhares deles para tanta coisa diferente. Tudo vale a pena. Mesmo que ele não lembre daqui uns anos, o registro da experiência ficou. E no mais, você irá lembrar de ter vivido tudo aquilo com eles. E isso é o mais importante.


Punt em Cambridge

irmãos em Oxford (eu vou lembrar <3)


Paris

Alice no aquário de Berlim

Família no outono de Berlim
 Perdidos na neve em Norwich



Friday, 15 August 2014

Tocando a vida tocando juntos





25 anos atrás um casal com duas filhas pequenas resolveu investir em um sonho. E trabalhar. E trabalhar muito.
As estopas sujas de gasolina e a vida do interior deram lugar a acordes musicais e cidade grande. Da vida anterior ficou a família unida e a filha menor que mesmo com a mudança, continuava dormindo em capas de teclado em festas e feiras.

Eu me lembro bem da transição. Começou com uma parte da loja de motoserras sendo pintada de azul, recebendo o nome Talentho´s e se enchendo de instrumentos musicais para serem vendidos. 
Tinha pouco mais de 6 anos quando esperava (em Capão Bonito, SP) meu pai voltar de Porto Alegre, onde estava montando uma escola de música com o mesmo nome. E lembro MUITO BEM de entrar no carro com o caminhão de mudanças ao lado e ver uma criançada correndo atrás dele, chorando a partida do professor de música.

Quem acompanha os de Souza de perto, sabe que a Talentho´s foi construída e sonhada por esse casal e que aos poucos as meninas foram assumindo mais do que a música, o sonho deles.

Acho essa história linda. 
Adoro fazer parte desta empresa que leva não só música, mas alívio, alegria, descontração e mais um monte de coisas pra tanta gente diferente!!!
Nesses 25 anos o trabalho foi grande, mas a satisfação de ver aquela loja de instrumentos no interior de São Paulo se transformar nesse nome tão forte que é a Talentho´s, é muito compensador. 

Fica as palavras do pai da Talentho´s, como ele se explicou para um aluno ontem.

Que venham os próximos 25.

 A Palavra que me vem neste momento é GRATIDÃO. Por tantas pessoas queridas que dedicam suas vidas e seus dons a este projeto. Começando pela minha família, a partir da companheira de jornada Mara, que abraça a linha de frente da Talenthos. Às minhas filhas que compartilham comigo do prazer de ensinar música. A cada professor da Equipe atual e àqueles que já deixaram sua marca por aqui.
Às valiosas colegas que nos atendem, administram e zelam pela boa imagem da Escola. E àqueles que são o motivo de tudo isso e para os quais existimos e vibramos. Nossos valiosos alunos e familiares. Obrigado de todo o nosso coração por nos permitir comemorar esses 25 anos. -  
           

                                                                          Moacir de Souza.  14.08.2014

Wednesday, 13 August 2014

Revivendo

E ai que eu (achava) que tinha um post bem legal pra marcar o aniversário  do nosso primeiro ano de volta  a vida brasileira (um ano assim, no mínimo intenso) e fui dar uma olhada no último que eu tinha escrito. E aconteceu que tudo que eu falei a 1 ano atrás é o que precisava ser dito.
Então ta aí.



Velho mundo, foi um prazer.

Já pensei, revisei, comecei e desisti desse post várias vezes. Mas agora vai.
As malas estão prontas (HA-HA, só que não) a casa está produzindo eco e nossa vida está prestes a mudar de novo.

Não existe nada que eu possa escrever que consiga explicar o que estamos sentindo agora.

                                                 "...ninguém precisa mais me dizer
                                                   como é estranho ser humano nessas horas de partida..."

A despedida dessa vez tem um gosto diferente pois nós somos pessoas diferentes. Quase dez anos atrás, quando me despedi de Curitiba, tinha aquela sensação de que nunca mais veria aqueles meus amigos... que era um adeus. Mas a vida deu um jeito de mostrar que as coisas não funcionam do jeito que a gente pensa e curtimos Londres com nossos amigos irmãos, mesmo depois de dizer tchau.

Agora, estranhamente, me dói no fundo do coração me despedir dessa cidade.
Foi aqui que 3 anos atrás uma família de 3 desembarcou cheia de medos, saudades e desafios.
Foi aqui que vimos a neve, amamos, odiamos, amamos de novo e decidimos que é bonita, mas não por 7 meses....
Aqui tivemos um menino de 3 anos que encarou escola, colegas e professores sem saber o que eles diziam e foi aprendendo, crescendo e se tornando esse guri inglês/brasileiro que ele é.
Foi por aqui que tivemos 3 testes positivos de gravidez e duas perdas tão doloridas.
Aqui, em uma cidade com temperaturas negativas coberta de neve, renasci em um parto cheio de respeito que trouxe nossa preta linda e bagunceira.
Aqui, longe de todo mundo, encaramos os desafios de ser expatriados, encaramos criança hospitalizada, febre de 40 graus, escurecer as 4 da tarde, mas principalmente, vivemos essa vida familiar tão intensa e linda.
E aqui tem Londres....
Ja contei antes (me deixem, sou pisciana, mãe e to me despedindo) quando eu tinha uns 13 anos, sonhava em conhecer Londres. Minha tia na época fez uma viagem em família e na volta me deu seu guia da folha Londres com um cartão dizendo: "longe é um lugar que não existe". Ele ficou guardado, e anos depois ao precisar dele (EM Londres) me caiu como um afago no coração. Eu passeava por aquela cidade, eu estudava naquela cidade, eu estava ali.

Na verdade fica aquela dor de estar deixando pra trás um lugar que nos fez felizes, mudados, nos proporcionou tanta novidade, tanta coisa legal.
 Mas sentimos no fundo do nosso coração que nosso tempo por aqui acabou.
Queremos nossos pequenos perto dos avós, queremos natais animados e aquele abraço de pai e mãe na hora que as coisas não estão bem. Queremos desafios profissionais, fazer parte das mudanças do nosso país e compartilhar com tanta gente tudo que aprendemos aqui.
O chá com Picanha está se aposentando e mesmo que não se manteve atualizado nos últimos tempos (podem culpar a Alice com certeza) ele fica no meu coração profundamente.
Foi aqui que dividi com gente que eu nunca vi a nossa vida e a nossa experiência em colocar a mochila nas costas e partir.  Vou deixar ele como está, não vou tirar do ar, porque adoro revisitar a nossa história e mostrar para o Lo, e agora pra Alice, que documentei muita coisa do que acontecia na vida deles.

Nos sentimos muito privilegiados de ter tido essa experiência e muito, muito felizes (e orgulhosos) por termos saído dela tão bem, com uma família mais linda ainda e cheios de possibilidades pela frente.

Quem sabe em alguns anos, Lorenzo ou a inglesinha Alice não resolvem revisitar o lugar onde tiveram uma infância tão livre e linda e continuem o Chá com Picanha com o jeitinho deles.

O mundo não para.

Ainda bem.

Boa viagem.

Tuesday, 12 August 2014

Do fim do começo

Talvez um dia eu faça um post introdutório. Inaugural. Assim, de apresentação.
Mas não hoje.

Minha vida de blogueira não é recente. Já escrevi sobre a experiência da primeira gravidez em um blog hoje desativado e já escrevi sobre a experiência de morar em outro país carregando marido e criança pela mão, lá no Chá com Picanha, que segue existindo pra quem quiser ler, mas segue principalmente pra nós. Pra manter aquela nossa história viva.

Esse blog já teve vários nomes. Vários posts. Vários assuntos.
Como eu penso tudojuntoaomesmotempo achei por bem deixar ele ser sobre isso. 
Sobre ser.

Amanhã completa 1 ano que deixamos a Inglaterra pra trás, fazendo de Porto Alegre nossa casa de novo. Fecha um ciclo, o fim do novo começo. E pra colocar todos os pensamentos (e sentimentos) pra fora achei que era a data certa pra começar a escrever de novo.

Bem vindos.